Efeito de um programa de atividades aeróbicas em idosos

Efeito de um programa de atividades aeróbicas em idosos

INTRODUÇÃO

Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2002 (IBGE) sob o título “síntese de indicadores sociais” revela que a proporção de idosos cresceu no Brasil de 6,1% em 1980, para 7,3%, em 1991 e chegou a 8,5 em 2002. De acordo com essas projeções, estima-se que em 2050, o número de idosos brasileiros chegue a 22% (IBGE, 2000).  Contudo, ao verificar esse aumento na expectativa de vida, é necessário também, analisar as condições de saúde que são oferecidas a essa população.

Dentro desta perspectiva, pesquisadores da área da saúde vêm desenvolvendo estudos sobre o efeito da atividade física na aptidão funcional geral do idoso (MARTINS et al2006, ZAGO; GOBBI, 2003). Esta aptidão funcional comprova a eficácia da execução das atividades físicas aeróbicas na melhora e manutenção da capacidade funcional dos mesmos.

O presente estudo visou ampliar os conhecimentos com base em referências bibliográficas e pesquisas científicas relacionadas aos efeitos da atividade aeróbica na capacidade funcional de idosos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (apud VOCE S/A, 2004, p. 70), a inatividade, é uma das causas de morte de cerca de 33 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Para (PY, 2002 apud MARQUES, 2006) “a pessoa que envelhece bem é aquela que permanece ativa”. Se faz necessário uma investigação mais profunda a respeito de métodos que possam amenizar os casos de morbidade, obesidade e declínios físicos.

A prática de atividade física, como ressalta Gobbi (1996) apud Gobbi (2003) ”é que mais tem mostrado evidências nas condições de saúde dos idosos”.

Assim, o presente estudo com base em referências bibliográficas e pesquisas relacionadas à aptidão física do idoso, buscou mais informações sobre os benefícios da atividade física e a importância da manutenção da capacidade funcional em idosos .

Com base no exposto acima, questiona-se: haverá alteração da Resistência Aeróbica Geral – RAG# nos idosos após uma intervenção de seis semanas de atividades aeróbicas ?

Visando responder a este questionamento, pressupõe-se que: um programa de atividade física pode beneficiar o funcionamento do sistema cardiovascular; melhorar a capacidade funcional e; aumentar a capacidade do sistema cardiorrespiratório.

Para que se confirmassem às hipóteses propostas, alguns objetivos foram delineados, como: identificar o perfil da amostra; aplicar o teste RAG antes da intervenção e descrever os resultados; aplicar o teste da RAG após a intervenção e descrever os resultados; comparar os resultados dos testes, antes e após a intervenção de atividades aeróbicas.

Pretendeu-se com este estudo, incentivar a prática de atividades físicas na terceira idade, mostrando sua importância através dos resultados obtidos, promovendo a conscientização de um estilo de vida mais ativo para uma expectativa de vida mais saudável durante o processo do envelhecimento humano.

Sendo assim, os hábitos de vida saudável (dietas alimentares balanceadas) e estilo de vida ativo influenciam positivamente na melhora daperformace física e saúde do idoso.

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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Envelhecimento Humano

Envelhecimento é considerado um processo biológico que sofre mutações do tempo. E, é determinado pelo um tempo cronológico (SPIRDUSO, 2005; MATSUDO, 2001). Segundo Organização Mundial da Saúde (1963) apud Moreira (2001, p. 26) a idade cronológica é definida:

  • Meia idade (45 a 59 anos);
  • O idoso (60a 74 anos);
  • O velho (75 a 90 anos);
  • O muito velho (acima de 90 anos).

Envelhecer para as pessoas é uma incógnita da vida. Pois, será impossível separar o envelhecimento da passagem do tempo. Pela lei da vida, todos irão envelhecer, mas de formas diferentes, considerando-se a genética, o estilo de vida e ambiente onde cada uma vive (MOREIRA, 2001).

No processo do envelhecimento as pessoas passam por alterações fisiológicas e metabólicas. Segundo Matsudo (2001, p. 18) “envelhecimento é um processo multidimencional e multidirecional, […] na taxa e na direção das mudanças (ganhos e perdas) em diferentes características entre as pessoas”. A essas mudanças estão relacionadas aos aspectos biológicos (alterações fisiológicas), psicológicos (como lidar com o processo do envelhecimento) e sociais (valores e comportamentos).

Em estudos epidemiológicos (WHO, 2005; MATSUDO; MATSUDO; BARROS, 2000; ACSM, 2007) os decliníos físicos começam por volta dos 45 a 50 anos, estabilizando aproximadamente aos 70 e declinando aos 80 anos. Assim, como peso, estatura e aumento da composição corporal, pela perda de massa corporal relacionada à idade conhecida como sarcopenia (MATSUDO, 2001) com conseqüência disso os indivíduos tornam-se mais vulneráveis a quedas e fraturas.

E com essas alterações morfológicas os indivíduos acabam desenvolvendo doenças crônico-degenerativas (hipertensão, diabetes, colesterol sérico, doenças cardiovasculares). Segundo Spirduso (2005) , outros fatores também podem prejudicar a saúde e aptidão física do idoso, como o uso abusivo de bebida alcoólica, do fumo, má nutrição, estilo de vida e excesso de medicamentos.

Assim, essas modificações podem ser reflexas do desuso progressivo de atividades menos vigorosa com o passar dos anos, que ocorre à medida que as pessoas, tanto propositais quando involuntariamente deixam de praticar.

Segundo Matsudo (2006) o hábito de não se exercitar regularmente está mais associado em grade parte às doenças crônico-degenerativas, as quais tornam-se as principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade.

No entanto, envelhecer bem com autonomia, independência alcançando a longevidade é preciso que as pessoas na medida que vão envelhecendo procurem aquirir hábitos saudáveis, como um estilo de vida mais ativo.

Atividade Física e Idoso

Atividade física é definida comumente, todo movimento voluntário realizado pela musculatura esquelética onde os níveis basais se elevam aumentando o dispêndio de energia (FOSS; KETEYAN, 2000; MARCADLE; KATCH; KATCH, 1998; POWERS; et al, 2000).

Segundo Spirduso (2005, p.30) atividade física:

É a base de realizar atividades de vida diária como caminhar, se vestir, comer; tomar banho e tarefas realizadas no trabalho, como digitar, escrever, levantar peso; e participar de atividades esportivas e recreativas.  Assim, o papel da atividade física (SPIRDUSO 2005, p.31) é um fator muito importante na vida dos idosos porque, trará modo de vida independente. De acordo com estudos (MATSUDO, 2006 ; SPIRDUSO, 2005), o idoso ao praticar atividade física, ele estará agregando valores que aprimoraram sua capacidade física, psicológica e social.

No aspecto físiológico regula os níveis de glicose no sangue, melhora a condição ca cardiorespiratória; melhora a resistência muscular localizada, coordenação motora e melhorando a agilidade dos movimentos. Aspecto psicológico aumenta a capacidade de relaxamento, redução do estress, ansiedade, auto-estima, controle motor e a performace, auto-imagem e aumenta a capacidade cognitiva. Aspectos sociais aumentam de integração social, cultural, formação de novos amigos, convivío familiar e relações sociais. Contudo, atividade física vai além de aspectos biológicos e funcionais, se torna fonte de conhecimento, comunição, sentimento, emoção e prazeres estéticos.

Portanto, inatividade pode acarretar perda significativa da capacidade funcional e psicossocial do que uma pessoa com estilo e vida mais ativo. (MACARDLE; KATCH; KATCH, 1998) como, condição de saúde, função física, energia e vitalidade, função cognitiva e emocional (SPIRDUSO, 2005). Assim, ACSM (1998), atividade física pode prevenir inúmeros fatores aos declínios físicos, além de proporcionar uma longevidade.

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Atividades Aeróbicas

Atividade aeróbica refere-se à função cardiovascular e pulmonar que também pode ser definida por resistência aeróbica componente da aptidão física à relacionada à saúde Glaner (2003, p. 80); Pitanga (2008).

Segundo Guedes; Guedes, 1995 apud Pitanga (2008, p. 18), os compontes que correlacionam com a aptidão física relacionada à saúde são, morfólógicas (composição corporal e distribuição de gordura corporal), funcional-motora (consumo máximo de oxigênio, força/resistência muscular e flexibilidade), comportamental (tolerância ao estresse) e fisiológica (pressão sanguínea, tolerância à glicose e lipídios/lipoproteínas plasmáticos).

Segundo Araújo (2002); Foss; Keteyian (2001), atividade aeróbica pode ser a habilidade de realizar atividades físicas como os esportes, as caminhadas, as artes marciais, danças, atividades recreativas, as atividades ocupacionais (trabalho), as atividades da vida diária (deslocamentos a pé, tarefas domésticas e etc), de modo dinâmico, com participação de grandes massas musculares com intensidade moderada e por períodos de tempo mais prolongados. Havendo uma permutação das trocas de Oxigênio com o Dióxido de carbono entre o meio ambiente e os músculos esqueléticos podendo chegar ao estado estável Astrand (1980), Foss; keteyian (2001).

Estudos ao relacionar a resistência aeróbica com doenças cardiovasculares (GLANER, 2003; MATSUDO, 2006), evidenciaram que os indivíduos treinados aerobicamente além de desenvolver uma capacidade física maior (consumo máximo de oxigênio VO2  máx) apresentam menor risco de doenças coronarianas (acidente vascular cerebral, câncer, diabetes, hipertenção, obesidade, ostoporose, depressão e ansiedade) e, aqueles que viviam do laser sedentário chegaram apresentar fatores de riscos maiores do que aqueles ativos.

Segundo Nelson; et al (2007) recomenda, para promover a manutenção cardiovascular à atividade física deve ser de intensidades moderadas de 30 minutos 5 vezes na semana ou atividades com intensidades vigorosas por 20 minutos de 2 a  vezes por semana.

Programas de atividades aeróbicas

Prescrição de exercícios físicos tem por finalidade de promover a saúde física do indivíduo, levando em consideração suas valências físicas ACSM (2007).

Segundo Pitanga (2008) antes de realizar um programa de exercícios é preciso utilizar um questionário de estratificação de risco cardiovascular e uma triagem de saúde (anamnese). Contudo, permite que o profissional de educação física conheça os fatores de e detalhes da vida desse aluno e/ ou cliente, previnindo um possível acidente, além disso, torna o programa de exercício físico mais efetivo.

Ao elaborar um programa efetivo de exercícios físicos é preciso que seja analisada a resposta fisiológica entre os indivíduos, salientando que cada indivíduo responde a estímulos (capacidade funcional e genética) diferentes na prática de atividade física. ACSM (2007) preconiza ao fazer mudanças das prescrições de exercícios físicos, tendo em vista da natureza diversificada e das necessidades de saúde da população, é necessário ajustar a intensidade e a duração do exercício e monitorar a Freqüência Cardíaca (FC), Pressão Arterial (PA), e quando haja a necessidade de aprimoramento, um exame Eletrocardiograma (ECG).

Toda via, o programa de exercícios físicos presume em estruturas, para que os interesses individuais, as capacidades e as limitações sejam trabalhados (FOSS; KETEYIAN, 2000).  Salientando, ao realizar uma atividade sistematizada devemos respeitar a individualidade biológica e, ter cuidados para que o aluno e/ou cliente não desenvolvam com a prática estresse físico e mental.

Segundo ACSM (2007, p. 104) recomenda que cada sessão de exercício deve  incluir um período de aquecimento (aproximadamente de 5 a 10 minutos), um estímulo ou fase de condicionamento (Cardiorrespiratório, flexibilidade, treinamento de resistência) (20 a 60 minutos), uma recreação opcional (proporciona uma maior variedade) e um período de volta à calma (5 a 10 minutos).

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METODOLOGIA

Tipo de Pesquisa

A presente pesquisa foi bibliográfica, de campo do tipo descritiva e de cunho comparativo (SANTOS, 2000).

De acordo Gil (1999, p. 2) a pesquisa descritiva visa descrever as características da população envolvida neste projeto e também envolve uso de técnica padronizado de coleta de dados. O autor descreve que uma pesquisa bibliográfica procede de referências bibliográficas, ou seja, de material já publicado. Segundo Santos (2000, p. 40), uma pesquisa de campo é aquela que “… investiga e coleta informações no local em que ocorrem os fenômenos estudados, colocando o pesquisar em contato direto com as variáveis interferentes e com o fenômeno como um todo”.

Pesquisas que adotam métodos quantitativos são aqueles que procuram transformar as informações coletadas em números, para que assim possam ser tratadas de maneira estatística, dessa forma permitindo a generalização dos resultados (SANTOS, 2000). Segundo Santos (2000, p. 50) “o objetivo deste tipo de pesquisa é a formulação de leis e a possibilidade de testar hipóteses”.

Instrumento de pesquisa

  • Questionário de estratificação de fator de risco de Saúde (anamnese), para identificação do grupo;
  • Teste de Resistência Aeróbica Geral da bateria de teste da AAHPERD (OSNESS et al, 1990);
  • Fita métrica da marca cardiomed;
  • Estadiômetro, marca sanny, o qual se encontrava fixado na parede;
  • Balança da marca filizola;
  • Cronômetro.

Procedimento de coleta de dados

Inicialmente foi apresentados aos participantes do presente projeto um termo de Consentimento Livre e Esclarecimento sobre as atividades que seriam realizadas e, que sua participação seria voluntária, podendo desistir a qualquer momento, sem qualquer ônus ou conseqüência para nenhuma das partes. Em seqüência, os voluntários responderam um questionário com perguntas socioeconômicas, sobre atividade física e aspectos relacionados ao seu estado de saúde. Depois de realizados, foram analisados e prescritos os programas de atividades aeróbicas.

Com relação aplicação do teste o mesmo foi realizado na pista de atletismo da Univille, que tem 400 metros, e teve os seguintes procedimentos:

Posição do avaliado: Marca inicial da pista.

Posição do avaliador: Na marca inicial da pista, com o cronômetro na mão.

Ao sinal “já” o participante começa a caminhar (sem correr) 804,67 metros na pista de atletismo de 400 m, o mais rápido possível. É anotado o tempo gasto para realizar tal tarefa em minutos e segundos, e posteriormente transformado para segundos. Os dados do teste da RAG foram comparados com os valores normativos da bateria da AAHPERD elaborados por Zago; Gobbi (2003).

População

Idosos que praticavam atividade física na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC/CCT) Joinville.

Amostra

Participaram do presente estudo 9 idosos de ambos os sexos com média de idade de 66,5 (±3,25) anos, que participam do Projeto Vôo Livre da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC-CCT) em Joinville.

Tratamento Estatístico

Para análise dos resultados, utilizou-se o teste “t” de Student pareado, com nível de significância de 95%. Os valores, quando não especificado o contrário, estão apresentados no formato de média±desvio padrão da média.

Atividades Realizadas

As aulas de atividades aeróbicas foram realizadas 2 vezes por semana com  sessões de 60 minutos de duração, sendo as 2 semanas iniciais de adaptação, totalizando seis semanas de intervenção.

Antes de praticarem as atividades propostas os idosos passaram por  avaliações físicas. Responderam um questionário de estratificação de riscos à saúde (anamnese), após realizaram o teste de Resistência Aeróbica Geral (RAG), da bateria da AAHPERD (ONESS et al, 1990) na pista de atletismo de 400m.

As aulas foram ministradas na sala com tatame do ginásio esportivo da UDESC/CCT Joinville, por se tratar de um local apropriado para a prática de atividade física. Ao final destas 6 semanas de atividades aeróbicas os voluntários foram submetidos novamente às avaliações físicas, e ao teste da AAHPERD.

Cada sessão do programa de atividade aeróbica obedeceu às regras básicas de um programa de exercícios físicos, contendo aquecimento, parte específica e volta à calma. Os exercícios foram distribuídos da seguinte forma: 10 minutos de exercícios de alongamento dos músculos do tronco, dos membros superiores e inferiores, 20 de caminhada, 20 minutos de exercícios aeróbicos para a resistência aeróbica geral e 10 minutos final de alongamentos, para os pequenos e grandes grupos musculares.

Os materiais utilizados foram: aparelho de som com CD, bastões de madeira, bolinhas de tênis, entre outros.

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

De acordo com os objetivos deste estudo serão apresentados a seguir os resultados obtidos.

Perfil da Amostra 

A amostra inicial deste estudo constitui-se de 13 sujeitos, porém houve uma perda amostral de quatro sujeitos. Sendo assim, os resultados serão apresentados com uma amostra de nove sujeitos.

Para melhor visualização dos resultados referentes ao perfil da amostra os dados demonstrados se encontram no quadro abaixo.

Quadro 1 – Análise do perfil da amostra do programa de atividades aeróbicas.

Sujeito

Sexo

Idade

Estatura

Peso

Situação Profissional

Estado Civil

Hipertensos

1

Feminino

65

154,5

92,3

Pensionista

Viúva

Sim

2

Feminino

70

175,0

91,8

Pensionista e Aposentada

Viúva

Sim

3

Feminino

68

171,0

87

Aposentada

Viúva

Sim

4

Feminino

67

152,0

68,2

Aposentada

Viúva

Sim

5

Feminino

68

167,5

61,5

Aposentada

Casada

Sim

6

Feminino

68

156,5

81,7

Do lar

Casada

Sim

7

Feminino

62

144,0

93,7

Aposentada

Casada

Sim

8

Masculino

63

155,0

70,6

Aposentada

Casado

Sim

9

Masculino

70

146,6

88,5

Aposentada

Casado

Não

Diante dos dados observa-se que a maioria (78%) dos sujeitos é do sexo feminino e apenas 22,2% do sexo masculino. Com relação à faixa etária da amostra encontrou-se na média e desvio padrão (66,7±3,0), peso (81,7±12,0) Kg, estatura (158±10,8) cm. Na Situação profissional, verificou-se que 55,5% estão aposentados, 22,2% são pensionistas e os sujeitos restantes 11,1% estão como pensionista e aposentada e 11,1% realiza as tarefas do lar. No estado civil analisou-se que 55,5% da amostra são casados e 44,4% viúvos. E com relação ao estado de saúde 88,8% são hipertensos e apenas um (11,1%) sujeito não desenvolveu a patologia. Os sujeitos com hipertensão arterial, fazem o controle com medicação.

Teste RAG da bateria de testes da AHHPERD

A seguir serão apresentados os resultados do teste de RAG antes e após a intervenção, os quais foram comparados aos valores normativos para a bateria da AAHPERD elaborados por Zago e Gobbi (2003). A classificação foi em cinco níveis, conforme a tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Classificação do teste motor de resistência aeróbica (RAG).

Categoria RAG 

 Faixa etária 60-70 anos

Muito fraco

>546

Fraco

547-509

Regular

508-491

Bom

490-463

Muito bom

<462

Fonte: Zago; Gobbi (2003).

 

Teste da RAG Antes da Intervenção

Para melhor visualização dos resultados, os mesmos serão apresentados na tabela 2 abaixo.

Tabela 2 – Classificação dos resultados do teste antes de intervenção.

Sujeitos (n) 

 Resultados em segundos 

 Categoria

8

656,4±69,2

Muito fraco

1

487

Bom

 

Conforme os resultados do teste RAG apresentados à cima verifica-se que 88,8% dos sujeitos se encontram na categoria “muito fraco” e apenas 11,1% dos sujeitos se na categoria “bom”. Como mostra no gráfico 1 a seguir.

Gráfico 1 – Resultado do Teste RAG antes da intervenção.

Resultado dos Testes RAG Antes e Após de cada participante da amostra seis semanas do início da Intervenção. Para melhor visualização dos dados, os mesmos serão apresentados na tabela 3 abaixo.

Tabela 3 – Classificação do teste após 6 semanas do início da intervenção.

Sujeitos (n) 

 Resultados em segundos 

 Categoria

5

603±86,1

Muito fraco

1

515

Fraco

2

506,5±2,1

Regular

1

460

Muito bom

 

Conforme os resultados do teste RAG demonstrados na tabela 3, verificou-se que mais da metade (55,5%) dos sujeitos tiveram categoria RAG “muito fraco”, sendo que 11,1% como “fraco” tiveram melhores de 22,2 “regular” e 11,1 % “muito bom”. Como mostra a seguir no gráfico 2.

Gráfico 2 – Teste após a intervenção.

Comparação dos Resultados dos Testes RAG Antes e Após seis semanas de Intervenção. Para melhor visualização dos resultados dos testes, os mesmos serão demonstrados na tabela 4.

Tabela 4 – Média dos Testes Antes e Após.

Sujeito (n) 

 Teste RAG Antes (s) 

 Teste RAG Após (s) 

 Média do tempo em segundos 

 Diferenças das médias (∆) 

P*

9

637,6±85,9

556±79,4

591±81,8

81,6

0,00071

*p≤0,05; ∆ = pós – pré.

De acordo com os resultados presentes na tabela acima, a média obtida no teste RAG antes da intervenção foi de 637,5 (±85,9) segundos, e no teste RAG após a intervenção foi de 556 (±79,4) segundos. A diferença entre as médias do Teste RAG antes e após a intervenção foi de 81,6 segundos, o que representa um valor de p≤0,05, ou seja, um resultado estatisticamente significativo. O gráfico 3 ilustra as médias do Teste RAG antes e aos a intervenção.

Gráfico 3 – Comparação das médias dos testes Antes e Após a intervenção das atividades aeróbicas; os valores estão apresentados em média(erro padrão da média).

Para melhor visualização dos resultados dos testes da RAG antes e após a intervenção dos sujeitos individualmente, os mesmos serão demonstrados no gráfico abaixo.

Gráfico 4 – Comparação das médias Antes e Após. * p<0,05; os valores estão apresentados em média (erro padrão da média).

De acordo com o gráfico 4, podemos observar as mudanças ocorridas no tempo de realização do Teste RAG do pós-teste em relação ao pré-teste. Nesse sentido foi possível verificar a melhora no tempo de execução do teste pelos sujeitos do estudo, após terem participado da intervenção durante seis semanas. Consideram-se positivos os resultados visto que todos os sujeitos obtiveram incrementos em sua resistência aeróbica geral.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se que o índice da população idosa no Brasil tem aumentado, como que também em outros lugares e regiões do mundo. A saúde e a qualidade de vida não estão caminhando na mesma proporção, em virtude dos impactos oriundos do estilo de vida não saudável e no abuso do uso das tecnologias. Assim, no presente estudo com base em referências bibliográficas e pesquisas relacionadas à aptidão física do idoso, buscou- se mais informação sobre os benefícios da atividade física e a importância da manutenção da capacidade funcional dos idosos. Com intuito de confirmar a importância da prática regular de atividades físicas para os idosos Aplicou-se o teste RAG, o qual teve como base os estudos de Zago; Gobbi (2003), que desenvolveram os valores normativos  da bateria da AHHPERD (ONESS; et al, 1990) para aptidão física do idoso.

Participaram do presente estudo 9 sujeitos de ambos os sexos que participam do Projeto Vôo Livre da UDESC/CCT,  que oferece atividades físicas para idosos.

Durante toda a intervenção, os idosos demonstraram muito interesse nas atividades propostas, bem como sentiram os resultados positivos alcançados por meio das mesmas. De acordo com os resultados obtidos, a média obtida no teste RAG antes da intervenção foi de 637,5 (±85,9) segundos, e no teste RAG após a intervenção foi de 556 (±79,4) segundos. A diferença entre as médias do Teste RAG antes e após a intervenção foi de 81,6 segundos, o que representa um valor de p≤0,05, ou seja, um resultado estatisticamente significativo. Confirmando que houve uma alteração da Resistência Aeróbica Geral nos idosos estudados com intervenção das atividades aeróbicas de 2 vezes por semana com duração de 60 minutos, havendo uma melhora no sistema cardiovascular, cardiorespiratório e capacidade funcional.

Percebe-se que à medida que as pessoas vão envelhecendo de maneira ativa, se torna nítida a sua boa aptidão física.  Práticas regulares de atividade física proporcionam maior resistência aos efeitos deletérios do envelhecimento. Assim,  os impactos oriundos de uma sociedade globalizada não atingirão com tanta intensidade a longevidade.

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